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José Mota coloca travão

O Leixões segue na vice-liderança da Liga, tendo já à quinta jornada o dobro dos pontos que, na época anterior, só conseguiu à 10.ª ronda. O entusiasmo dos adeptos cresce a olhos vistos não só pelos bons resultados, mas também pela qualidade das exibições. José Mota é, naturalmente, um treinador satisfeito, mas a experiência de quem anda nisto há muitos anos recomenda alguma moderação.

- Até ao momento, o balanço é naturalmente positivo…
- Sim. O grupo está a trabalhar bem, jogo após jogo percebe-se que começam a existir rotinas e dinâmica ganhadora e isso é importante que se mantenha. É importante que os jogadores se convençam que o trabalho que está a ser desenvolvido tem de ser feito ainda com humildade e sacrifício, porque só assim se conseguem ultrapassar as dificuldades.

- O Leixões pode pensar em algo mais que a permanência?
- Renovar objectivos à quinta jornada é impensável e não faz parte da minha forma de agir e pensar.
- Mas surpreende-o a qualidade de jogo da equipa?
- Surpreende para aqueles que realmente não estavam muito atentos ao que era o Leixões. Melhorámos em vários aspectos, fundamentalmente o aspecto defensivo, ou seja, quando uma equipa não sofre golos começa a ter organização defensiva o que faz com que os homens que transportam jogo estejam mais tranquilos e consigam explorar melhor as suas capacidades. Neste aspecto, temos melhorado.
- Foi importante mudar o sistema de jogo, quando passou do 4x3x3 para o 4x4x2?
- Não é uma questão de sistema de jogo. Percebemos que, neste momento, temos algumas limitações. Esta equipa sempre foi trabalhada em função de um ponta-de-lança, um jogador muito fixo de área, o Roberto, que resolvia alguns problemas. Tive de alterar em função dos jogadores que tinha disponíveis, aliás, costumo dizer que um treinador altera em função dos jogadores, não o contrário, pois muitas vezes não conseguimos impor aquilo que pretendemos porque nos falta atletas. Neste caso, sabíamos que não tínhamos uma referência de área e tivemos forçosamente de alterar em função das características.
- E começa a “explodir” o Wesley…
- É um jogador que aparece bem no espaço, concretiza e dá amplitude ao jogo. Jogamos em losango, o que já fiz na época anterior em Paços de Ferreira, e a equipa tem correspondido, tem sido organizada e também tem demonstrado qualidade.
- Não o surpreende ver Wesley com quatro golos, a par de William, do Paços de Ferreira, a liderar a tabela dos melhores marcadores?
- Não me surpreende, pois conheço-o bem, já na época passada alcançou uma marca fantástica ao nível de golos, e sabemos o que é capaz de fazer, porque é um jogador diferente, que aparece muito bem no espaço, finaliza com à vontade e, portanto, tem todas as condições para fazer um bom campeonato e nos ajudar com golos.
- Mas o Wesley não é só um goleador...
- Não, não, também ajuda a equipa e os colegas nas movimentações ofensivas. Veio ajudar-nos, assim como vários jogadores que, neste momento, estão a surpreender-me pela positiva, casos do Braga e do Paulo Tavares. Já conhecia a qualidade do Braga, mas nunca pensei que tivesse uma evolução tão rápida. Deve-se mérito do jogador, pois chegou, viu e venceu, devido ao seu trabalho. E é nestes aspectos que se constrói boas equipas, tendo no plantel jogadores que, num curto espaço de tempo, conseguem tornar-se mais valias. É bom para o Leixões, para o treinador e para os jogadores.
- E a equipa ainda não está na máxima força…
- Sim, ainda não consegui ter plantel todo disponível. O Serginho Baiano está agora a aparecer, e conto com ele para nos dar mais objectividade ao ataque. O Roberto e Chumbinho também são atletas que nos fazem falta.
- Perder o Wesley em Janeiro seria dramático?
- Nunca é dramático, pois estou habituado a sofrer e essas coisas sempre me aconteceram. Fico é feliz quando isso acontece, pois é sinal que o jogador trabalhou, ajudou o grupo e os resultados apareceram.
- É jogador de equipa grande?
- Sem dúvida alguma. Não vamos agora… sinceramente, e peço desculpa por dizer isto, mas parece que só agora viram o Wesley. O Wesley é um jogador excelente há muito tempo, foi sempre uma paixão minha desde os tempos que jogava no Penafiel, na Liga de Honra, e sempre gostei de o ver jogar. Houve a oportunidade de o trazer, está cá e espero que continue por muito tempo.
“Vamos ser sérios no Dragão”
Surpreendeu Benfica na jornada anterior, até podia ter surpreendido mais, espera também fazer o mesmo ao FC Porto?
- Não é uma questão de surpresa. Já digo isto há muito tempo: actualmente os clubes pequenos trabalham tão bem como os grandes ou melhor. Para termos esta qualidade de jogo, para defrontarmos Benfica e impormos nosso ritmo, temos de trabalhar muito, se calhar, melhor que o Benfica, porque não temos os mesmos argumentos.
- E pode fazer o mesmo com o FC Porto?
- Penso que jogar com estes clubes da forma como fizemos com o Benfica é benéfico para o futebol e pensamos que temos condições para continuar a desenvolver este trabalho. O próximo jogo é com o Caniçal, para a Taça, e só depois vem o FC Porto. O seu a seu tempo. Vamos preparar os jogos da forma séria como temos feito. Agora, concerteza, que vamos ser sérios no Dragão ou noutro lado qualquer.
- Mas espera somar pontos no Dragão?
- Essa é sempre a nossa intenção. Lutar pelos pontos, independentemente do adversário. Sempre disse que íamos ser uma equipa competitiva, respeitando os adversários, mas com sentido positivo, e penso que temos sido. Neste momento, não é a classificação que faz com que o Leixões seja melhor, o importante é que estes 10 pontos nos dão tranquilidade para encarar campeonato com optimismo, embora sabendo que ainda vamos encontrar muitas dificuldades.
fonte & foto: site MH
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