Também vence à desgarrada
Se há palavras que poderiam ser extraídas do novo acordo ortográfico, José Mota escolheria apenas uma: derrota. Não existe nada mais corrosivo para o humor do treinador do Leixões do que sair do relvado a perder e muito menos suporta que levem a melhor no encontro de amigos no futsal. O temperamento reservado do homem que nasceu há 44 anos, na freguesia de Lordelo (concelho de Paredes), diz quem o conhece, transfigura-se por completo quando o assunto é o trabalho. E é bom que não contrariem as suas orientações, caso contrário habilitam-se a ver a expressão mais feia de José Mota, isto para não falar dos descuidos nos vocábulos. Para já, Rosa Marinha, a esposa e a sua melhor crítica (vê todos os jogos e está à vontade para dar palpites), só o terá visto mal-humarado uma vez, depois da derrota com o Nacional, porque daí em diante, o Leixões entrou nos eixos e provavelmente ainda não sentiu vontade em se enfiar debaixo dos cobertores até lhe passarem os nervos. A agressividade competitiva choca com a postura divertida de José Mota, no final dos treinos. Gosta de passar rasteiras e dar palmadas para fortalecer o físico dos jogadores. Nesta altura, deixa aflorar a faceta mais suave, generosa e imaginativa de um nativo de Peixes. Não é insensível aos problemas das pessoas do grupo de trabalho, sabe ter aquela palavra amiga que levanta o ânimo e faz amizades para toda a vida.
O sentido criativo explode sempre que há a ocasião para um fado à desgarrada. É verdade, José Mota sempre que pode é fadista e gosta de cantar ao desafio, pelos vistos tem jeito para a rima e, se levarmos em consideração que não gosta de perder, o adversário da cantoria que se cuide, porque Mota é bom na letra e no desafio.
O grau de exigência com que se entrega aos treinos e aos jogos atesta o nível de competência de um treinador frontal e directo que não deixa assuntos pendentes. Mas, todos reconhecem que fica irascível perante a frustração dos objectivos. A família aprendeu a lidar com o impacto, dá-lhe espaço e não se incomoda quando fica fechado em casa, enterrado no sofá a fazer a retrospectiva do dia, no rastreio dos erros. A mãe Emília faz questão de ver o filho diariamente, sobretudo, depois dos jogos para ver como ele está e, se calhar, para lhe dar mimos e ajudar a repor o desgaste psíquico. José Mota exibe um enorme orgulho nos pais e no crescimento pessoal e académico das duas filhas, aliás promissoras jogadoras de voleibol no Juventude Pacense. A Cristiana Catarina estuda Medicina Dentária e a Rita Isabel está no nono ano, ainda em vésperas de escolher a carreira. O serão na casa amarela, com vistas para a Mata Real, é sereno e dialogante.
3 QUESTÕES A JOSÉ MOTA
O que é sentiu após a derrota do Leixões, no primeiro jogo da época?
Senti uma desilusão muito grande, porque pensava que ia ganhar esse jogo. Achei que a equipa estaria mais bem preparada para ser mais forte e que desse uma resposta mais capaz e nada fazia prever que facilitasse nos dois golos.
Porque razão abdicou do 4X3X3, o sistema que mais utilizou?
Há uma razão muito simples que tem a ver com Wesley, que é um jogador que precisa de espaços e que aparece muito bem na zona de finalização. Depois, perdi o Roberto que é um jogador muito importante para jogar no 4X3X3 com dois alas a cruzar.
Foi fácil a habituação à forte presença e à exigência dos adeptos leixonenses?
Nunca foi difícil, porque sou um optimista. Já conhecia bem este clube, vim muitas vezes ver jogos do Leixões, por isso sei como as pessoas reagem. Aliás, nunca tive problemas nas derrotas que sofri e sempre me disponibilizei a falar com os adeptos.
Uma estreia galopante
O gosto pelo risco fê-lo agarrar no maior desafio como treinador principiante, em 1999/00. José Mota, nessa época, largou as chuteiras para iniciar uma nova carreira num momento de crise no Paços de Ferreira. A equipa estava num aflito 15º lugar e na luta para não descer à II Divisão. O ex-lateral direito dos pacenses que também era esperto a jogar na esquerda, não se intimidou com as dificuldades, iniciando uma escalada histórica em direcção à... liderança, José Mota galgou a classificação de uma ponta a outra com 12 vitórias e dois empates. O Paços de Ferreira conquistou, então, o segundo título de campeão da Liga de Honra, depois de Vítor Oliveira ter feito o mesmo ainda José Mota corria pelos relvados. Na conta pessoal tem mais um título da Honra.
Ler jornais faz bem
José Mota tem coragem para lançar jogadores dos escalões inferiores na alta competição e não hesita em puxar pelo intelecto do grupo. Recomenda a leitura de jornais em troca da literatura cor-de-rosa. Atitude que lhe vale a admiração de quem trabalha com ele. Zé Manel não se esquece do dia em que o foi buscar ao Taipas; Serginho Baiano sente-o um segundo pai e Wesley não resiste aos seus conselhos.
Se há palavras que poderiam ser extraídas do novo acordo ortográfico, José Mota escolheria apenas uma: derrota. Não existe nada mais corrosivo para o humor do treinador do Leixões do que sair do relvado a perder e muito menos suporta que levem a melhor no encontro de amigos no futsal. O temperamento reservado do homem que nasceu há 44 anos, na freguesia de Lordelo (concelho de Paredes), diz quem o conhece, transfigura-se por completo quando o assunto é o trabalho. E é bom que não contrariem as suas orientações, caso contrário habilitam-se a ver a expressão mais feia de José Mota, isto para não falar dos descuidos nos vocábulos. Para já, Rosa Marinha, a esposa e a sua melhor crítica (vê todos os jogos e está à vontade para dar palpites), só o terá visto mal-humarado uma vez, depois da derrota com o Nacional, porque daí em diante, o Leixões entrou nos eixos e provavelmente ainda não sentiu vontade em se enfiar debaixo dos cobertores até lhe passarem os nervos. A agressividade competitiva choca com a postura divertida de José Mota, no final dos treinos. Gosta de passar rasteiras e dar palmadas para fortalecer o físico dos jogadores. Nesta altura, deixa aflorar a faceta mais suave, generosa e imaginativa de um nativo de Peixes. Não é insensível aos problemas das pessoas do grupo de trabalho, sabe ter aquela palavra amiga que levanta o ânimo e faz amizades para toda a vida.
O sentido criativo explode sempre que há a ocasião para um fado à desgarrada. É verdade, José Mota sempre que pode é fadista e gosta de cantar ao desafio, pelos vistos tem jeito para a rima e, se levarmos em consideração que não gosta de perder, o adversário da cantoria que se cuide, porque Mota é bom na letra e no desafio.
O grau de exigência com que se entrega aos treinos e aos jogos atesta o nível de competência de um treinador frontal e directo que não deixa assuntos pendentes. Mas, todos reconhecem que fica irascível perante a frustração dos objectivos. A família aprendeu a lidar com o impacto, dá-lhe espaço e não se incomoda quando fica fechado em casa, enterrado no sofá a fazer a retrospectiva do dia, no rastreio dos erros. A mãe Emília faz questão de ver o filho diariamente, sobretudo, depois dos jogos para ver como ele está e, se calhar, para lhe dar mimos e ajudar a repor o desgaste psíquico. José Mota exibe um enorme orgulho nos pais e no crescimento pessoal e académico das duas filhas, aliás promissoras jogadoras de voleibol no Juventude Pacense. A Cristiana Catarina estuda Medicina Dentária e a Rita Isabel está no nono ano, ainda em vésperas de escolher a carreira. O serão na casa amarela, com vistas para a Mata Real, é sereno e dialogante.
3 QUESTÕES A JOSÉ MOTA
O que é sentiu após a derrota do Leixões, no primeiro jogo da época?
Senti uma desilusão muito grande, porque pensava que ia ganhar esse jogo. Achei que a equipa estaria mais bem preparada para ser mais forte e que desse uma resposta mais capaz e nada fazia prever que facilitasse nos dois golos.
Porque razão abdicou do 4X3X3, o sistema que mais utilizou?
Há uma razão muito simples que tem a ver com Wesley, que é um jogador que precisa de espaços e que aparece muito bem na zona de finalização. Depois, perdi o Roberto que é um jogador muito importante para jogar no 4X3X3 com dois alas a cruzar.
Foi fácil a habituação à forte presença e à exigência dos adeptos leixonenses?
Nunca foi difícil, porque sou um optimista. Já conhecia bem este clube, vim muitas vezes ver jogos do Leixões, por isso sei como as pessoas reagem. Aliás, nunca tive problemas nas derrotas que sofri e sempre me disponibilizei a falar com os adeptos.
Uma estreia galopante
O gosto pelo risco fê-lo agarrar no maior desafio como treinador principiante, em 1999/00. José Mota, nessa época, largou as chuteiras para iniciar uma nova carreira num momento de crise no Paços de Ferreira. A equipa estava num aflito 15º lugar e na luta para não descer à II Divisão. O ex-lateral direito dos pacenses que também era esperto a jogar na esquerda, não se intimidou com as dificuldades, iniciando uma escalada histórica em direcção à... liderança, José Mota galgou a classificação de uma ponta a outra com 12 vitórias e dois empates. O Paços de Ferreira conquistou, então, o segundo título de campeão da Liga de Honra, depois de Vítor Oliveira ter feito o mesmo ainda José Mota corria pelos relvados. Na conta pessoal tem mais um título da Honra.
Ler jornais faz bem
José Mota tem coragem para lançar jogadores dos escalões inferiores na alta competição e não hesita em puxar pelo intelecto do grupo. Recomenda a leitura de jornais em troca da literatura cor-de-rosa. Atitude que lhe vale a admiração de quem trabalha com ele. Zé Manel não se esquece do dia em que o foi buscar ao Taipas; Serginho Baiano sente-o um segundo pai e Wesley não resiste aos seus conselhos.
fonte: site O JOGO
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