É o primeiro balanço da época leixonense. Vítor Oliveira, director geral do futebol do Leixões, reconhece, naturalmente, o bom arranque, mas lembra que só se jogaram cinco jornadas, ainda há muita pedra para partir, o que vale realmente, nesta fase, são os 10 pontos já conquistados, o dobro em igual número de jogos na época anterior. E, no Dragão, no próximo sábado, o objectivo é tentar surpreender o FC Porto.
- O segundo lugar do Leixões é uma surpresa? O que realmente significa?
- Não é surpresa, nem deixa de ser, pois estamos apenas com cinco jornadas disputadas. Neste momento, o segundo lugar vale pouco em termos posicionais, sabemos que não é a posição do Leixões no futuro, mas o que é extremamente meritório são os dez pontos já conquistados. Este arranque confirma que a equipa tem potencial, mas também é importante que as pessoas tenham consciência que o Leixões neste momento não tem possibilidades de discutir outra coisa que não seja a manutenção.
- O trabalho de Mota tem-no surpreendido?
- Não surpreende nada. O trabalho do Mota tem vindo a corresponder às expectativas, pois ele já deu provas mais que suficientes da sua capacidade. Mas isto vale o que vale, pois antes do jogo de Portugal com a Albânia o nosso seleccionador era o melhor, e, neste momento, já toda a gente equaciona a continuidade do treinador, o que é perfeitamente ridículo, embora perceba que é típico dos portugueses.
- Quer dizer que, no Leixões, o Mota nunca irá depender dos resultados?
- O Mota depende dos resultados como qualquer treinador. Todos os treinadores, gestores, dependem dos resultados, excepto os do banco de investimento, que provocaram crise enormíssima em todo o Mundo e ainda ninguém lhes viu o rosto.
- É verdade que disse que se o Mota saísse, saía com ele?
- Não, nunca disse isso. O que disse foi que o Mota tem o meu aval, da administração, tem provas dadas, é competente, sério, profissional, enquadrou-se bem na mística leixonense e merece o nosso apoio. Agora, como qualquer treinador, volto a repetir, depende de resultados. Se as coisas, por absurdo, não corressem bem estaria sujeito ao que estão todos os treinadores. Mas nesta casa a análise é feita de forma perfeitamente objectiva e não vão ser as pessoas de fora a decidir quem deve ser o treinador do Leixões.
- As entradas de Wesley, Laranjeiro e Roberto Sousa foram cirúrgicas…
- Foram importantíssimos. O Leixões muito cedo teve a noção das carências que tinha o plantel, só que não teve capacidade financeira para resolver algumas situações. Com o aproximar do fim das inscrições chegou-se a alguns preços mais compatíveis e foi assim que conseguimos o Roberto Sousa, o Wesley e o Laranjeiro.
- Pode garantir que não vão haver saídas em Dezembro?
- Isso não se pode garantir e, se calhar, o Leixões até tem interesse que haja saídas. O Leixões e a generalidade dos clubes portugueses, mesmo os grandes, precisam de bons negócios.
- O Leixões já renovou com Beto e Bruno China. Podem seguir-se mais?
- Podem. O Leixões está atento, temos uma política desportiva diferente da que foi seguida noutros anos e é provável que convidemos um ou outro elemento a renovar o seu vínculo.
- Fala-se no Hugo Morais…
- Neste momento, não falámos com ninguém. Os que tínhamos interesse prioritário já foram resolvidos, agora há outros que, pelo seu desempenho, merecem a renovação do contrato de forma a estarem mais tranquilos quanto ao futuro.
“Contrariar favoritismo do FC Porto”
- Segue-se o jogo com FC Porto e o Leixões entra no Dragão na vice-liderança…
- Há duas formas de ver este jogo, uma extremamente positiva, pois se o Leixões ganhar será, pelo menos, por um dia, líder do campeonato, o que à sexta jornada seria fantástico, a outra leitura é termos consciência que o FC Porto tem 90% possibilidades de ganhar. Mas vamos fazer tudo para contrariar o favoritismo do adversário.
- Que balanço faz deste novo desafio da sua carreira? Gosta das suas funções?
- Não gosto muito da função que desempenho. Não gosto, agora tenho de o desempenhar com todo o profissionalismo. Quando assumo estas situações, sou o mais sério e profissional possível, dou o melhor, agora se colocar no prato da balança o treinador e director geral pende, inquestionavelmente, para o treinador.
- No futuro, vê-se então como treinador e não director?
- Não sei. Costumo dizer que o futebol não tem passado e futuro. Tem presente. Há muito para se fazer no futebol leixonense e penso que esta função deve ser desempenhada por gente do futebol.
- Mas o que é que o cansa?
- Não cansa nada. Não é por cansaço, antes pelo contrário, é por falta do terreno, da pressão dos jogos, do contacto com os jogadores e do público.
- Mas está num cargo que também tem pressão…
- Tem, tem, é uma responsabilidade enorme, mas devo reconhecer que foram muitos anos como treinador, com muito boas recordações, e não é fácil fazer essa transição.
- E vê-se a cumprir os quatro anos de contrato?
- A ideia é essa, agora não sei se serei capaz de cumprir os quatro anos. Mas quando sentir que não estou motivado sou o primeiro a pedir para sair.
- Já conversou com o presidente Carlos Oliveira sobre o que sente?
- Não, não temos falado sobre isso. Os problemas do Leixões são tantos, os problemas do presidente Carlos Oliveira são tantos, que nem temos tempo para discutir se gostamos ou não das nossas funções. Temos é que as desempenhar a tempo inteiro, com máxima aplicação e entrega.
- O presidente também já admitiu que pode sair no futuro. Seria uma perda irreparável para o Leixões?
- Não há insubstituíveis, é um chavão do povo com lógica, mas, neste momento, a saída do Carlos Oliveira seria uma perda irreparável. O Leixões entraria numa espiral descendente extremamente perigosa.
Futebol juvenil “Resultados superam condições”
As responsabilidades de Vítor Oliveira abrangem, para além do futebol profissional, a formação do clube que, nos últimos tempos, tem registado resultados fantásticos. Aliás, muito acima das estruturas do clube, segundo explica o director leixonense:
- O futebol juvenil dá muitos problemas. Está abaixo de zero. Os resultados têm aparecido devido ao desempenho das equipas técnicas, que são de grande qualidade, dos dirigentes, e a prospecção tem sido feita com muito cuidado, mas os resultados superam largamente as condições que o clube tem para a formação. Neste momento, os treinadores trabalham quase por carolice, mas as pessoas cansam-se e se o Leixões não alterar rapidamente a sua política em termos de infra-estruturas vai perder peso e deixar de ser uma referência no futebol juvenil.
fonte: MH
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