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Angélica André em entrevista

Angélica André é um exemplo de determinação. Num ano em que perdeu o seu pai, a nadadora do Leixões, que diz “dar sempre o melhor” quando entra dentro de água, foi empurrada pela força divina para a obtenção de novos recordes nacionais, um dos quais (1500 livres em piscina curta) o mais antigo da natação portuguesa (29 anos). Especialista em longas distâncias, a atleta do clube de Matosinhos leixonense pretende “conciliar as competições de natação pura e águas abertas”, aproveitar “as oportunidades que tiver para nadar em provas internacionais” e espera concretizar “o sonho” de nadar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. 

Viajando no tempo, onde é que te encontramos a dar as primeiras braçadas e que idade tinhas? 
Comecei aos três anos pelo infantário, na Obra de Promoção Social da Fonte da Moura, no Porto. Dali íamos a uma piscina. 

Qual? 
Já não me lembro muito bem, mas sei que era perto do Fluvial Portuense. 

Foi aí que ganhaste o gosto pela natação? 
Sim, foi a partir dessa altura. 

Então depois como se mantém a tua ligação à água?
Depois disso, quando fui para a primeiro ano, a minha mãe perguntou-me qual o desporto em que eu gostaria de ir e sempre lhe disse que queria a natação. Entretanto entrei em Matosinhos para apreender a nadar e estavam naquela altura os pré-cadetes a treinar e os treinadores que estavam lá perguntaram-me se eu queria ir para o Leixões. E aceitei. 

Como foram os primeiros tempos? 
No princípio estava na piscina pequena, de aprendizagem, onde me ensinaram as bases do que era a natação, depois fui para o Leixões em pré-cadete onde me ensinaram a nadar todos os estilos. Não era perfeita, mas com o passar dos anos fui aperfeiçoando todas as técnicas e ainda hoje isso acontece. Desde então melhorei bastante, todos aqueles erros que tinha, em aspeto técnico e mental, pois também é necessário preparar a parte psicológica. 

Desde os escalões mais jovens que tens sobressaído e hoje és a atual detentora dos recordes nacionais de 800 livres (piscina longa) e 1500 livres (piscina curta e longa). Esperavas atingir este patamar aos 17 anos? 
A partir de juvenil, comecei-me a perceber o que eram recordes nacionais e nessa altura já sonhava em ter um, sentir qual era a sensação de o ter. A partir dessa altura, comecei a treinar com o objetivo de algum dia alcançar um máximo nacional. Tive altos e baixos durante as épocas em que se seguiram, mas em júnior A, no Nacional em Coimbra, foi realmente onde tudo começou. Comecei a ir ao pódio, absoluto, aos 400 estilos, e a partir daí sabia, que se treinasse a sério, poderia alcançar marcas muito boas. Desde então treinei muito, nunca faltava a nenhum treino e conseguia conciliar a escola com a natação. 

Só falta mesmo o máximo dos 800 livres em piscina curta, na posse de Marta Ferreira desde 2002. Esperas também batê-lo este ano? 
Sinceramente, nesta época que terminou já o tinha tentado bater. O meu pai, que nunca faltava a nenhuma prova minha, estava doente e tinha-me ido ver nessa altura. Tentei bater esse recorde no Nacional de inverno, fiquei muito perto, mas vou trabalhar e melhorar aspetos para melhorar a minha marca. Se bater o recorde, é porque tive a certeza que trabalhei e senão conseguir também não irei ficar triste, irei continuar a treinar para melhorar. 

Como foi quebrar o recorde absoluto dos 1500 livres (piscina curta), o mais antigo da natação portuguesa, que estava na posse de Alexandra Silva há 29 anos? 
Foi muito bom, pois deu para ganhar auto-confiança e só serviu para mostrar que era capaz, apesar da fase em que estava a passar, e que tudo é possível quando se quer mesmo alcançar algo que nos irá fazer felizes. 

Sentias que a perda do teu pai te dava uma força divina para alcançares os teus objetivos? 
Sim, ele sempre se preocupou comigo, no entanto queria fazer aquilo para mim, para ele, para a minha mãe, porque sei o quanto eles me apoiam e o quanto eles se esforçaram para que eu estivesse na natação, e que fosse sempre aos treinos. Por isso, dou sempre o meu melhor quando entro para dentro de água, para que eles tenham orgulho em mim. 

O Leixões tem tradição de ter grandes fundistas, como é o caso de Fernando Costa, ainda dono das melhores marcas nacionais nos 800 e 1500 livres, ou de ter tido treinadores como José Baltar Leite e Rui Borges, que foram especialistas também em distâncias longas. É uma característica do clube ou foi por gosto próprio a aposta neste tipo de provas? 
Os treinadores que têm estado no Leixões querem que os nadadores tenham resistência, então trabalhamos todos o mesmo, mas, normalmente, os treinadores estudam o atleta e veem qual a sua especialidade. O que pensa um nadador, ao longo da prova, quando nada distâncias tão longas? 

Estás totalmente concentrada em todos os momentos do percurso? 
Pensa em dar o melhor e nunca desistir em qualquer altura da prova. Sempre ser forte e dizer que é capaz de fazer e dar o melhor na prova. 

Em 2011, foste distinguida pelo CNID com o Prémio Revelação. Serviu-te como estímulo à brilhante época que tiveste neste último ano, com a obtenção de novos recordes e a conquista de títulos nacionais? 
Sim, deu-me motivação para continuar a treinar e melhorar cada vez mais as minhas marcas pessoais. 

Além das provas de natação pura, a tua carreira tem passado também pelas águas abertas. Esta disciplina é uma forma de te manteres ativa no período de Verão ou é também uma aposta forte, como ficou vincado com o 8.º lugar no último Mundial júnior? 
O meu pensamento é de conciliar as duas modalidades, águas abertas e natação pura. Quero manter os mesmos treinos e aproveitar as oportunidades que tiver para nadar em ambas as disciplinas em provas internacionais. Se assim acontecer no futuro, eu irei aproveitá-las e dar sempre o meu melhor. 

Numa entrevista, afirmas-te que o Leixões transformou-te na nadadora que és hoje. É no clube de Matosinhos que esperas concretizar o sonho de estares nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016, quando se inicia agora um novo ciclo olímpico? 
É uma pergunta difícil, pois até lá muita coisa pode mudar, mas para já o meu clube é o Leixões, mas espero que seja o Leixões que me dê esse sonho. 

Para a nova temporada, que objetivos estão delineados? 
Ainda não tenho, mas quando começar a época, eu e o meu treinador vamos delinear quais os objetivos para a época de 2012 e 2013. 

Fora do cais da piscina, o que fazes e o que pretendes fazer no futuro? Estudo, estou agora no 11.º ano num curso profissional de desporto, no Externato Santa Clara, no Porto. Ainda não sei bem o que vou fazer do futuro, tenho mais dois anos para pensar.
Texto e fotos: Nortágua ANNP
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