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Crónica - LSC tem de pensar na crise global

A crise espreita por todos os lados. Por isso, o desporto também não podia fugir à mesma, sobretudo o desporto-espectáculo-negó­- cio, como é o futebol.Atravessamos um período em que os chamados clubes de futebol profissional vivem, na sua grande maioria, atarefados e com os seus dirigentes a tornarem-se verdadeiros malabaristas, contorcionistas, mágicos, para conseguirem ter os papéizinhos em ordem para inscrever o clube ou a SAD. Quantas inscrições esconderão os mais variados mistérios do milagre da multiplicação dos euros? Quantos mostram as contas em dias e, dentro de dias, quando a bola começar a rolar, lá aparece a calvície de muitos cheques e a verificação que um nome avalizador parece estar fora do sítio ou já fora do prazo de validade...Daí que os clubes dirigidos por gente consciente (e não são, infelizmente, muitos) tenham necessidade de criar novas formas de vida, diferentes fontes de financiamento, uma vez que os associados querem carne da perna pelo preço do nispo e os simpatizantes querem bilhetes baratinhos para um espectáculo cujos artistas pensam que fazem contratos com um qualquer Ali Babá. Assim, são alguns clubes, sobretudo no estrangeiro (Espanha, Itália e Inglaterra, pelo menos) em que começam a surgir os investidores, como é o caso recente do Bolonha, em Itália, conforme o “Matosinhos Hoje” destacou numa recente edição e, agora, surge-nos um inglês (Freddy Sheperd) a querer adquirir o Maiorca, de Espanha, depois de ter deixado de financiar os ingleses do Newcastle, onde tinha 28%. O Maiorca está com uma dívida, uma insolvência, de 40 milhões, esperando que o investidor britânico abra os cordões à bolsa para que o clube não vá pelo mar dentro. Vicente Grande, proprietário do Maiorca, reza a todos os santos para que Sheperd não se arrependa...
Para meditar chama o “Matosinhos Hoje” estes casos à evidência porque temos vindo a reflectir sobre o que se passa em Matosinhos, especialmente com o Leixões, em que o futuro desta instituição se poderá tornar deveras difícil, a caminho do colapso, se não foram criadas aberturas para aumento de capital, abrindo primeiramente aos associados, depois aos simpatizantes e público em geral, incluindo nestes, evidentemente, investidores que possam surgir, falem eles ou não a nossa língua.Vai longe o tempo em que todos nós queríamos um Leixões somente a cheirar a mar, mas esse bonito romantismo, nos tempos que correm, é inundado pelas ondas da realidade que obrigam a encarar a situação doutra forma. As boas equipas – já não dizemos as grandes equipas – só se fazem com muito dinheiro e só um clube equilibrado dentro e fora das quatro linhas é que poderá motivar outros apoios, pois na vazante ninguém aposta.Dentro de dias a massa associativa do Leixões certamente vai ser chamada a decidir o aumento de capital e um reordenamento accionista da SAD. Nesse dia, as pessoas que vão ter na sua mão o voto que decidirá o Leixões de amanhã, terão de pensar bem no que se passa no mundo, desde o negócio que é o futebol profissional, ao mesmo tempo que será muito apropriado reparar no que se passa na casa dos vizinhos. O Leixões tem, neste momento, administradores que sabem bem o valor do dinheiro e a necessidade de se viver numa gestão arrumada, consciente, a par de na sua agenda ser prioridade o dia de amanhã. Os leixonenses terão de colocar de lado, repete-se, o romantismo do “meu Leixões” para assentar numa vida de podermos continuar no decorrer dos tempos a dizer “nosso Leixões”, o que só será possível com a leitura correcta dos novos tempos e dos novos comportamentos que terão de existir.Repetimos: o Leixões tem na sua equipa administrativa quem sabe assumir as suas responsabilidades e quem, portanto, nos pode dar garantias de criar uma instituição com fôlego financeiro para nos deixar sonhar com um clube prenhe de aplausos. Há que avançar para a aprovação das propostas do renovar do Leixões com a seiva financeira de quem gosta do clube, mas dar também a oportunidade que a comunidade também se envolva, não sendo de admitir que no concelho de Matosinhos não há 10 indústrias, empresas investidoras, que possam adquirir uma posição accionista, cada um, de 50 ou 100 mil euros. Esta força será atracção para outros investidores, permitindo que Matosinhos tenha no seu seio um Leixões forte, um Leixões que sinta uma almofada financeira que o proteja dos problemas que possam surgir. E um clube que tenha a pouca sorte de descer de divisão, sem uma rectaguarda capaz financeiramente, cairá no abismo de forma acelerada.Fica mais um ponto de reflexão. Será bom que os leixonenses passem palavra, concordem ou não com estas achegas. Pela nossa parte, entendemos que podemos estar no bom caminho. É que, meus amigos, os associados também podem marcar golos e ganhar jogos. Bastará que compreendam as necessidades de sobrevivência.
Por: Joaquim Queirós
fonte:MH
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